Pinças, brocas, alicates, seringas e agulhas. À primeira vista, todos esses instrumentos e materiais não parecem oferecer conforto. Talvez por isso, ir ao dentista seja uma daquelas tarefas que muitos ainda deixam de fazer. Se a maioria sente apenas um desconforto ao programar tratamentos longos, para outros a cadeira reclinada causa verdadeira fobia. Ás vezes o sofrimento começa antes de entrar no consultório.
O dado mais preocupante é o que diz respeito aos odontofóbicos, aqueles que nem cogitam marcar uma hora com o dentista e representam 10% da população.
Essas pessoas adiam mil vezes as consultas, chegam a ir até a porta do consultório, mas dão meia-volta. E, enquanto o número de simples ansiosos tende a diminuir (eram mais da metade da população adulta há algumas décadas), parece que o dos que sofrem de fobia se mantém estável. “O medo do dentista é um dos principais motivos que afastam os pacientes dos tratamentos”, afirma Antonio Carrassi, professor da Universidade de Milão, especialista em patologias odontológicas. Segundo ele, mais de 40% daqueles que, embora tenham acesso aos tratamentos odontológicos, não se submetem a essa terapêutica periodicamente, reconhecem que o principal motivo dessa atitude é o medo do dentista.
E as consequências são preocupantes, segundo uma pesquisa norueguesa publicada na revista Community Dentistry and Oral Epidemiology que analisou o impacto da odontofobia na saúde bucal. O quadro é desencorajador. Pessoas que sofrem com o problema apresentam incidência de cáries, placas de tártaro, patologias gengivais, perda de dentes e abscessos de forma nitidamente superior à média. O estudo também confirmou uma progressão linear já esperada quanto maior o medo do dentista, maior a tendência a adiar a consulta, com evidentes consequências para a saúde bucal.

Fonte: revista online Cientifique american Mente Cérebro